
Ao longo da vida, sempre me entreguei na totalidade, mas sempre com receio, o medo de errar era maior, em todos os desafios da vida. Principalmente no amor, entregava-me de uma forma única, mas o medo não me deixava. Todos os dias, dava um pouco mais de mim, se o conseguisse fazer, tentava esquecer o medo, mas… Num dia, supostamente igual a qualquer outro, senti um arrepio, que me percorreu o corpo todo. O amor, bateu-me á porta, dei tudo o que tinha, mas de um momento para o outro o medo apoderou-se de mim, então cruzei os braços. Não queria mais saber, daquele amor, para mim nem era amor, era simplesmente imaginação minha. Então, não lutei, deixei fugi-lo para o outro lado. Achava que assim seria melhor para mim. Tinha medo, de sofrer, de ser vulgar. Mas, quanto mais tempo passava, mais arrependimento tinha de não ter aceite, aquela voz que me chamou. O coração doía, as feridas eram cada vez maiores. Pensei então culpar o amor, mas depois pensei, que estava a errar, pois tinha sido eu a fechar a porta ao amor. Ganhei coragem e decidi, abrir a porta, simplesmente para ver se ele ainda lá estava. Por mero dos acasos da vida, ele lá estava sentado, e de braços abertos para mim (pensei eu, na minha ingenuidade). Então atirei-me a ele, sem medo. Dei-lhe tudo, o que tinha e o que não tinha. Mas no amor, ou lutam os dois, ou então um só não o pode fazer. Eu lutei, tentei várias vezes, arrisquei, era aquele amor que eu queria. Hoje arrisquei de novo, pensei que não podia desistir, afinal se ele esperou por mim, tantos dias, não me iria deixar. Mas, deixou. Deixou, devido a ser uma criatura, que precisa demais, precisa de vários sabores do amor. Precisa de provar, até encontrar uma figura, que se assemelhe a ele. Pois, essa criatura, não tenta transformar uma única figura no mesmo que ele. Prefere andar ao dissabor da vida. Sei que um dia vais encontrar a tua figura prefeita, e nesse dia estarei lá, sentada atrás da porta onde bates-te um dia, essa figura até posso não ser eu, mas ao menos terei o prazer de ser a primeira a ouvir o som do bater da porta, simplesmente para me mostrares a tua felicidade, embora seja a minha infelicidade. Mas com o passar do tempo, irei bater á tua porta, tu irás abrir, irei olhar para dentro de tua casa, e terás a tua figura perfeita sentada no sofá. Tu irás perguntar, o que é que eu preciso, e eu irei responder “ precisava apenas de ver se essa figura te conseguia dar tanto quanto eu, tentei dar, sem tu notares, pois, quando bates-te com a porta depois de me teres mostrado a tua felicidade, eu sentei-me de novo, e esperei, esperei, esperei, esperei, depois de já ter o corpo dorido, levantei-me daquele chão, abri a porta e sim consegui, mesmo antes de ele me bater á porta, já lá estava, e sabes quem era? Era o amor, de novo, e a única coisa que ele me disse foi. Vai a casa dele bate á porta e vê o que a figura perfeita dele fizer quando ele te vier abrir a porta. Depois volta. “ Neste momento ele fechou-me a porta na cara, e repentinamente o amor apareceu e disse-me “Viste o que ela estava a fazer?” Ao que eu respondi. “Sim, estava sentada no sofá.” O amor apenas me disse. “ Isso mostra que a figura perfeita para ele não é ela.” E eu rapidamente perguntei. “Porque dizes isso?” e ele perguntou. “Se lá estivesses o que terias feito?” e eu respondi. “ Quando ele se levantou para abrir a porta, eu teria me levantado com ele, pois quando existe amor, vamos a todo o lado com a nossa figura perfeita, nem que seja apenas para abrir a porta. Porque amor é amor, e o amor que eu tenho para te dar, nunca ninguém o vai conseguir dar de igual forma como eu.”
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