domingo, 7 de novembro de 2010

Não sei.


Não sei coisa alguma sobre o que deveria conhecer; talvez por isso ande nesta vida ao sabor das vontades dos outros, ignorando cada um dos meus desejos e deixando-os para trás por serem impossíveis de tornar reais. Não sei se o sonho é justo, pois comanda a minha vida, mas leva-me a errar. Não sei se me conseguirei levantar de novo se mais alguma vez tornar a cair. Não sei.
Quero conhecer tudo o que não conheço, descobrir os segredos atrás dos sorrisos e reviver o passado como um futuro. Quero possuir toda a força do mundo, para conter as lágrimas e fazer-me à estrada. Quero sorrir depois de sair derrotada da derradeira batalha – de ter perdido a guerra. Quero ser, quero estar, quero amar e possuir. Não me interessa o tempo nem o espaço, o modo e a condição. Quero ter a chave de todas as portas que sempre quis abrir, apertá-la entre os dedos e gritar “Consegui!”.
Porque choro quando o que mais quero é sorrir? Porque escondo cada lágrima se quero gritar ao mundo que perdi tudo o que alguma vez tive?
Choro porque não há motivos para sorrir. Não há um sol que entre pela janela de manhã e me faça acordar, nenhum motivo para adormecer em paz sem medo de sonhar. E escondo as mágoas porque não posso chamar meu àquele passado que ainda reside na gaveta que guarda as melhores memórias de todas.
Posso ter errado, mas foram esses mesmos erros que me ensinaram a perdoar a mim própria antes ainda de perdoar aos outros. Reconheço cada passo em falso que dei, cada vez que corri em vez de esperar por quem precisava, cada sorriso que não ofereci para dar a outro alguém.
Ainda existe uma possibilidade remota, uma luz ténue ao fundo do túnel que só eu consigo ver brilhar. Sei que tornarei a cair se continuar a caminhar para ela e, provavelmente, será muito mais difícil voltar a tomar o pé. Aí, afogar-me-ei em lágrimas que nunca mais secarão. E elas serão as melhores mestres de todas – ensinar-me-ão a nunca mais lutar pelo que já nos fez sofrer.
Mas só aí desistirei. Até lá, continuarei numa luta injusta, mentirosa, ingrata. Uma luta que não me pertence e na qual entrei sem pedir. Sinto-me a mais – não devia estar aqui. Mas quero ter de volta um passado que me foi roubado.
Devolvam-me as minhas recordações, façam delas o meu único futuro eterno. E, nessa eternidade, deixem-me continuar a construir, dia após dia, um castelo sobre a rocha que nunca, mas nunca se irá desmoronar.
E então saberei onde pertenço, quem sou e para onde vou. Saberei as palavras que tocam bem fundo no coração, não me importarei com o futuro, pois tenho tudo num presente. Conhecerei tudo e respeitarei o que mais desejo, o que mais quero. Deixarei o sonho comandar a vida, pois foi ele que me fez ser feliz. Terei a força suficiente para me levantar todas as vezes que cair. Aí sim, viverei

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