sábado, 16 de outubro de 2010

Mil formas


Queria ter mil formas para de mil formas me expressar. Ter mil caras, mil corpos, mil palavras, mil gestos para chegar até onde não consegui ir. Ter a possibilidade de fazer o dia ser maior que as 24horas para que assim tudo fosse perfeito e nada fica-se por fazer, tornando possível dizer tudo aquilo que não se disse, mostrar o tanto que falta mostrar, fazer o que não se conseguiu porque o tempo é escasso, o tempo é pouco quanto tudo em nós é muito, quando tudo é muito e não conseguimos que tudo seja tudo.
Há tanto de mim que desconheço, tanto de mim que desconhecem. Falta-me os gestos e as palavras, a razão de tudo e o ponto final que não consigo colocar em tudo o que já devia estar mais que acabado.
Mas porque? Porque teria tudo de ter acontecido desta forma? Cansa-me viver...
Já não sei o que procuro, perdi-me entre lágrimas e palavras, pensamentos e opiniões. Deixei de ser eu, passei a ser outra pessoa, aprendi a sobreviver, desenvolvi a poção anti-sofrimento e deixo-me levar como se fosse uma folha que leva o vento. Silêncio! É de silêncio que preciso, de irracionalidade, de parar de tentar perceber o que não têm razão de ser, mas que o é,. De abraços apertados, de sorrisos, de ouvidos, ouvidos abertos mesmo que custe ouvir o que se diz. Quero hibernar até saber fazer as perguntas certas, compreender as questões, perceber o que não entendo e que alguém me dê respostas! É de respostas que preciso. Curtas, simples. Sinto-me a endoidecer, dentro de mim mesma, estou cansada de batalhas, de guerras, até das palavras que tanto para mim já foram. Paz! É de paz, para perceber, para parar, para fazer parar o que já não dói de tanto doer. Se ao menos tudo fosse mais fácil... Se pudesse-mos corrigir os erros que cometemos, apagar a dor que se causa, falar em vez de calar, deixar de imaginar e fazer acontecer, perceber que os sonhos são isso mesmo, sonhos e que nada é como se quer. Quantas vezes já dissemos adeus para tantas vezes regressar-mos? Acho que preciso de voltar a acreditar que um dia serei novamente feliz, porque já não sei se sei, já não sei o que sentir, o que pensar, o que fazer. Improviso porque mais não sei, mais não sou capaz. Não sou perfeita e não consigo mais calar, não consigo... Recordo tudo o que já fui, tudo aquilo que já quis ser e tudo aquilo que hoje sou e mesmo assim não me encontro, perdida em mim mesma estou. Entre memórias de paixão, sentimentos, felicidade e dor, lutas e batalhas perdidas, não me encontro porque me transformei em algo que nem mesmo eu sei o que é. Melhor? Pior? Não sei...

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