
Queria ter mil formas para de mil formas me expressar. Ter mil caras, mil corpos, mil palavras, mil gestos para chegar até onde não consegui ir. Ter a possibilidade de fazer o dia ser maior que as 24horas para que assim tudo fosse perfeito e nada fica-se por fazer, tornando possível dizer tudo aquilo que não se disse, mostrar o tanto que falta mostrar, fazer o que não se conseguiu porque o tempo é escasso, o tempo é pouco quanto tudo em nós é muito, quando tudo é muito e não conseguimos que tudo seja tudo.
Há tanto de mim que desconheço, tanto de mim que desconhecem. Falta-me os gestos e as palavras, a razão de tudo e o ponto final que não consigo colocar em tudo o que já devia estar mais que acabado.
Mas porque? Porque teria tudo de ter acontecido desta forma? Cansa-me viver...
Já não sei o que procuro, perdi-me entre lágrimas e palavras, pensamentos e opiniões. Deixei de ser eu, passei a ser outra pessoa, aprendi a sobreviver, desenvolvi a poção anti-sofrimento e deixo-me levar como se fosse uma folha que leva o vento. Silêncio! É de silêncio que preciso, de irracionalidade, de parar de tentar perceber o que não têm razão de ser, mas que o é,. De abraços apertados, de sorrisos, de ouvidos, ouvidos abertos mesmo que custe ouvir o que se diz. Quero hibernar até saber fazer as perguntas certas, compreender as questões, perceber o que não entendo e que alguém me dê respostas! É de respostas que preciso. Curtas, simples. Sinto-me a endoidecer, dentro de mim mesma, estou cansada de batalhas, de guerras, até das palavras que tanto para mim já foram. Paz! É de paz, para perceber, para parar, para fazer parar o que já não dói de tanto doer. Se ao menos tudo fosse mais fácil... Se pudesse-mos corrigir os erros que cometemos, apagar a dor que se causa, falar em vez de calar, deixar de imaginar e fazer acontecer, perceber que os sonhos são isso mesmo, sonhos e que nada é como se quer. Quantas vezes já dissemos adeus para tantas vezes regressar-mos? Acho que preciso de voltar a acreditar que um dia serei novamente feliz, porque já não sei se sei, já não sei o que sentir, o que pensar, o que fazer. Improviso porque mais não sei, mais não sou capaz. Não sou perfeita e não consigo mais calar, não consigo... Recordo tudo o que já fui, tudo aquilo que já quis ser e tudo aquilo que hoje sou e mesmo assim não me encontro, perdida em mim mesma estou. Entre memórias de paixão, sentimentos, felicidade e dor, lutas e batalhas perdidas, não me encontro porque me transformei em algo que nem mesmo eu sei o que é. Melhor? Pior? Não sei...
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